sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Refugiados Locais
Devo esquecer por um punhado de tempo o que seja global, até porque quando penso em globo, lembro do mundo bola estampado em um mapa mundi. O local me soa mais íntimo. Shakespeare falava que o universo se encontra onde nós estamos. O meu no horizonte figura um pouco de céu e pessoas próximas. E no sentido pleno, isso vale para todas as coisas de todos os mundos. O nosso global chega no desejo de crescimento, seja de qual for, pelo pequeno que se é. Chega na capacidade de poder se colocar no lugar de qualquer um que está nesse chão.
Ligo a tv local. Ouço falar de refugiados. Aquelas pessoas que saem da sua terra por força política, para fugir das guerras, ou por opção religiosa. Tudo numa coisa só, são viajantes em busca de uma vida melhor. A novidade que tem é a quem vem do céu, dos mares e principalmente de nossas próprias mãos. As nuvens negras chegam em bandos maiores, mais rápidas e em qualquer céu de primavera. Os mares crescem e moramos juntos, bem perto deles. Existem pessoas que estão fugindo ou estão reféns. Acordam olhando pro céu onde a chuva pode ser uma benção de Deus ou também um pesadelo. Os que fogem de uma inundação ou de um deserto, já possuem um crachá de refugiado ambiental. Eis a grande invenção do nosso tempo, os refugiados amibientais. Essa sim, maior por todas as pessoas que tem o acesso.
Minha vó contava que era mesmo difícil uma chuva de quinze minutos alagar uma cidade. Hoje, quando jorra a água de cima ela olha da janela com olhos de novidade, olhos de uma nova invenção. Eu mesmo fico muito tempo olhando a chuva. Como pode não haver uma cachoeira em cima das nuvens? Lembrei até da história do João e o pé-de-feijão. Caramba é muita água pra ser só nuvem. Todo mundo anda pedindo um pouco mais de calma pra Deus, pra chover um pouquinho em todos os lugares. Esse negócio de aquecimento global, emissão de poluentes, o que quer dizer isso? Eu não tenho nem televisão em casa! Infelizmente quem pode decidir sobre isso são poucos , assim como aqueles únicos que tem uma chaminé bem grande. Ouço falar também de mobilização e conscientização mas ainda não sei ao certo pra quando, pois ouço já a muito tempo.
Acho que quem tem uma chaminé grande deve sentir alguma coisa também não? Bom, eu sei que esse discurso não tá na moda, mas é a única maneira no final de todas as atitudes. O que nos faz seres humanos?
Será que eles conseguiríam sentir calor, ao ver a floresta se fantasiando de deserto com um lavrador olhando para o céu amarelo e pedir uma chuva, para ter o pão na mesa da familia?
O que eles falariam a uma tribo de índios que vivem os meses sem chuva como castigo de Tupã?
O que deverá sentir uma senhora que mora a 50 anos em uma tal ilha, quando vê sua casa invadida pela praia? ´- Será que Deus quer que eu vire peixe? Devo rezar quantas vezes para permanecer na minha terra?
O que deve fazer um bicho em cima de uma árvore do Pantanal esperando a inundação acabar...ela não acaba nunca! Terá ele esperança a vida inteira? O urso polar que vê o seu chão derreter deve virar peixe ou passarinho?
Será que uma chuva de encher canelas, bundas e pescoços e igualzinho a um banho de piscina?
Nosso mundo anda meio febril...anda quente demais. Talvez tenhamos que remontar o nosso quebra-cabeça. Talvez tenhamos que começar pelas partes parecidas, pelas pessoas que se parecem.
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